quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Minha Insólita Metrópole

25 de janeiro, dia de homengens àquela que resiste com bravura e criatividade ao peso dos anos. Minha homenagem está nas palavras do Príncipe dos Poetas Paulo Bomfim, que com verdade e leveza retrata nossa querida Metrópole.

"Minha insólita metrópole, capital de todos os absurdos! Música eletrônica em fundo de serenata, paisagem cubista com incrustações primitivas, poema concreto envolto em trovas caboclas.
Cidade feita de cidades, bairros proclamando indenpendência, ruas falando dialetos, homens com urgência de viver.
Oceano feito de ilhas. Ilhas chegando, ilhas sangrando, ilhas florindo.
Os céus cansados do concreto que arranha. Cresce o mar das periferias.
No barco dos barracos navega um sonho. No fundo de cada um dos cidadãos do mundo, dorme a província.
Ali a velha igreja com seu campanário esperando a mantilha da noite.
Anúncios luminosos piscam obsessões. O asfalto é irmandade de credos.
No centro, todos os vícios e todas as virtudes convivem nas esquinas da São João.
Os domingos são quadrados. Cabem dentro da tela de cinema, do aparelho de televisão, da página do jornal, do campo de futebol.
O metrô é mergulho no inconsciente urbano. Nele o mesmo silêncio dos elevadores. Convívio de sonâmbulos, de antípodas da fila de ônibus e do trem de subúrbio onde há tempo para o cansaço florir num sorriso.
Aqui o verde é esperança cobrindo o frio de existir.
Teatros e o balé da multidão,  museus contemplando o quadro dos que se agitam, orquestras e a sinfonia de uma época em marcha. Nestes tempos modernos, Carlito operário ou estudante, comerciário ou burocrata, é técnico em sobreviver.
Planalto dos desencontros, porta dos aflitos, rosa de eventos onde até o futuro tem pressa de chegar.
Mal-amada cidade de São Paulo! EU TE AMO!"  

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Tempo de Maria...


Fernando Pessoa
 Há um tempo
Em que é preciso
Abandonar as roupas usadas
Que já têm a forma do nosso corpo
E esquecer os velhos
caminhos que nos levam sempre
Aos mesmos lugares
É o tempo da travessia
E, se não ousarmos fazê-la
Teremos ficado para sempre
   À margem de nós mesmos!


domingo, 1 de janeiro de 2012

31 de Dezembro


Noite de alegria e de magia,
Noite que explode em euforia.
Noite que parece dia...

Dia de confraternizar, abraçar, beijar, dançar.
Dia de agradecer e prometer.
Dia de brindar...   

Ao alvorecer, já se pode perceber,
Que de novo este dia nada tem,
Só a esperança de ir mais além...

Isto é 2012...366 dias de novas possibilidades.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Dalla Blog: METAS DE UM GUERREIRO (Carlos Castañeda)

Dalla Blog: METAS DE UM GUERREIRO (Carlos Castañeda): "O mundo que nos cerca é oracular: fatos concretos confirmam ou advertem. A realidade nos fala o tempo todo, mas nós não damos importância...

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Justitia!

A justiça é para Aristóteles um dos bens que ele chamou de virtude, vistas como qualidades.
Na Ética a Nicômaco, ele definiu a virtude como um hábito, como algo adquirido e que, portanto, não é inato – as virtudes e as técnicas se adquirem pelo exercício.
Além dos três fatores que constituem toda virtude (o hábito, a ação e o bem), a justiça tem, ainda, sua característica específica: o bem é a igualdade para o outro.
A justiça é uma virtude que só pode ser praticada em relação ao outro, conscientemente, para chegar à igualdade, ou à observância das leis, tendo como fim último o bem comum, ou seja a felicidade da polis.
O conceito aristotélico de justiça se compõe de cinco elementos estruturais: o outro, a consciência do ato, a conformidade com a lei, o bem comum e a igualdade.
Para Santo Agostinho justiça é dar a cada um o que é seu, de acordo com a hierarquia da ordem natural criada por Deus; o corpo deve submeter-se à alma, a alma a Deus e as paixões à razão.
Santo Tomás distingue a alteridade e a igualdade, como os dois elementos da justiça, ou de seu objeto, o direito: o homem deve realizar sua procura por Deus, com os outros, que igualmente, almejam a perfeição.
Como definição de justiça, Santo Tomás incorporou a de Ulpiano: justiça é uma “vontade constante e perpétua de dar a cada um o seu direito”. A vontade é fundamento principal do ato justo, porque, se houver ignorância, não existirá ato voluntário.
Em Santo Tomás, como em Agostinho, se vislumbra um conceito de vontade aproximado ao de Kant: uma lei que venha de uma vontade pura será necessariamente justa, de acordo com a lei natural; a vontade não corrompida tem como objeto o bem e não o mal.
Resumindo: de acordo com Santo Tomas, a justiça é uma virtude; seu objeto é o direito; o “outro” define a igualdade, enquanto lhe é devido o que lhe é adequado; o que lhe é adequado é determinado pela lei, que é, em última análise, a própria vontade ou razão de Deus; a igualdade, que define a idéia de justiça, não se realiza totalmente neste mundo. 



A figura da Justiça é personificada pela clássica imagem da Deusa Têmis, que, na mitologia grega, era representada, curiosamente, sem venda, com o olhar sempre atento às injustiças. O nome tal qual conhecemos, vem do latim ‘Justitia’, numa referência à mitologia romana. No século 16, artistas alemães passaram a pintar e esculpir a imagem signo do Judiciário com uma venda, simbolizando a imparcialidade que as autoridades da área deveriam adotar em todo julgamento.

domingo, 27 de novembro de 2011

Paulo Bomfim...o príncipe dos poetas.

“Sou feito de várias raças e de várias condições sociais. Em todo canto há um pouco de meu lar e em todos um pouco de mim.
Procuro ser livre, mas num mundo de prisioneiros a liberdade acaba sempre ferindo os companheiros de cela.
Amo tanto a liberdade que gostaria de ter filhos com ela!
A liberdade ofende as pessoas e regimes. Um homem verdadeiramente livre é uma ameaça cósmica. É alguém que caminha entre mortos-vivos com uma bomba relógio no coração.
Só amando nos renovamos. O êxtase é a única linguagem comum a todo o infinito. É o alimento do efêmero e do eterno. Através do amor o humano se diviniza e o divino de humaniza.
Procuro renascer todos os dias. Não concordo em morrer vivo. Sou um rebelde de paletó e grava, um grão que teima em não virar massa, um pássaro que persiste no canto, dentro da gaiola dos horários. Gosto de morar em pessoas, de falar dialetos de ternura e de dar asas a tudo que me cerca. Creio na alquimia de certos encontros e que a eternidade é uma questão de garra ou de graça.”
Extraído do livro "Aquele menino" de Paulo Bomfim.

domingo, 20 de novembro de 2011

Os quatro sofrimentos


Refletir e aceitar a morte é a melhor maneira de aproveitar a vida
Os quatro sofrimentos, de acordo com o budismo, são nascimento, doença, envelhecimento e morte. O budismo surgiu para encontrar uma solução para essas questões. E essa resposta é fundamental para a conquista da felicidade absoluta. Entenda o porquê.

Os quatro sofrimentos estão ligados à origem do budismo. Sakyamuni, o fundador do budismo, nasceu como príncipe herdeiro do clã Sakya, há mais de dois mil e quinhentos anos, nas colinas ao sopé do Himalaia, na Índia. Sua mãe morreu após seu nascimento e ele foi criado pela tia.

Apesar de viver em meio à riqueza, Sakyamuni possuía inteligência e sensibilidade aguçadas e começou a refletir constantemente sobre o significado da vida e do mundo procurando uma verdade eterna.
Ao sair do palácio em quatro ocasiões, Sakyamuni encontrou no portão leste um homem idoso; no portão sul, uma pessoa doente; no portão oeste defrontou-se com um cadáver; finalmente, saindo pelo portão norte, encontrou um asceta religioso. Esses encontros foram determinantes para sua decisão de renunciar ao mundo secular.
Os quatro sofrimentos
O homem idoso, o doente e o cadáver representavam os sofrimentos de envelhecimento, doença e morte, que ao lado do nascimento, ou da própria vida, são chamados de quatro sofrimentos. O nascimento representa o início da manifestação cármica; a doença, a agonia; o envelhecimento, a solidão; e, a morte, o medo. Esses sofrimentos são inerentes à vida

Sakyamuni, ao se confrontar com o nascimento, o envelhecimento, a doença e a morte compreendeu o vazio do desejo e percebeu que tudo estava sujeito a mudanças. Em consequência, ele renunciou ao modo de vida no qual havia crescido e embarcou numa busca por respostas.
Como resultado, quando estava com aproximadamente trinta anos, Sakyamuni meditava sob uma árvore numa localidade, posteriormente conhecida como bodhigaya. Ali, finalmente ele atingiu a iluminação, tornando-se o Buda ou o “Iluminado”, encontrando a chave para a questão dos quatro sofrimentos.

Os quatro sofrimentos da vida são causados pelo pensamento de que a pessoa existe separada do universo, sendo possível viver de forma egocêntrica, baseada nos apegos pessoais e guiada pela indiferença em relação ao sofrimento alheio. Ao basear sua existência na vida cósmica que eternamente permeia o imenso universo, é possível transformar os quatro sofrimentos em quatro nobres virtudes do Buda — eternidade, felicidade, verdadeiro eu e pureza. A finalidade dos ensinos de Sakyamuni era esclarecer esse único ponto.

Por que quatro sofrimentos?
O que torna o nascimento, o envelhecimento, a doença e a morte um sofrimento é o apego ao externo. Os quatro sofrimentos provocam a separação e a mudança de tudo que é mutável. Se a pessoa basear sua vida em fenômenos mutáveis, sempre viverá num impasse e sofrerá.

Morte: fato imutável
Na verdade, não há nada mais certo do que o fato de que um dia iremos morrer. Excluindo isso, tudo é incerto e sujeito a mudanças; somente a morte é imutável. Ainda assim, as pessoas tentam se desviar desse fato imutável. (...) a vida daqueles que carecem de uma correta compreensão sobre a vida e a morte é igual à grama sem raízes. Não há dúvidas de que sem uma perspectiva sobre a morte é impossível levar uma vida estável, firmada numa sólida base.

Budismo: um caminho humanista
O antropólogo Prof. Nur Yalman, da Universidade de Harvard, considera que os conceitos primordiais do budismo estão essencialmente em acordo com as pessoas. Segundo ele, todas elas têm de lidar com os quatro sofrimentos não obstante o poder, a riqueza e a fama que possam acumular. Num diálogo com o presidente Ikeda, ele disse: “Somente o budismo confronta essas urgentes questões da condição humana e proporciona respostas claras e profundas que todas as pessoas conseguem aceitar e realmente colocar em prática na sua vida.”

Somente quando compreendemos as questões da vida e da morte é que despertamos para o verdadeiro significado de nossa existência. Quando encaramos a profunda realidade da vida e da morte, percebemos como as nossas preocupações em relação à satisfação momentânea são insignificantes.

Superar os quatro sofrimentos de nascimento, envelhecimento, doença e morte não é uma questão teórica. Devemos ir além dessas questões sobre como conduzir uma vida longa, saudável e realizada e como morrer sem sofrimento. O budismo ensina a ter a sabedoria para conseguir isso.

(Texto publicado no Jornal Brasil Seykio - Edição 2107 - em 12/Novembro/2011 - Página A6)